segunda-feira, julho 28, 2008

Lousal, na voz e no tempo

O Lousal deixa saudades. A certeza de comer bem, na tradição, no sabor e ate na inovação alentejanas. Voltando ao Lousal - nada melhor que a caminho do Algarve, desviar da A1, em direcção a Grandola, apanhando a nacional, e a 10km, ei-lo. Da última vez fomos brindados com os cantares de um grupo de mulheres, de qualquer outra terra (cuja camioneta aguardava pacientemente pelo final de um longo almoço) que se inspiraram ao almoço com a soberba comida alentejana, assim como pela comida fantástica e pela simpatia dos empregados.

Desta vez, porta adentro, antes das 15h, a luz apagada para evitar o calor, dava o mote para a frescura das paredes altas e o apreço da comida vindoura. Ainda mal o pão na mesa, e o sorriso rasgado nos olhos pintados com acerto da empregada de mesa (que mais nos parece reconhecer), olho em volta, estranho uma mesa vagamente concentrada. Perco-me nos tectos, nos detalhes da pintura floral nas cadeiras, nos quadros nas paredes de fotografia a carvão e entro tela a dentro. Acordo meio sobressaltada, canta-se em pleno almoço. Vozes lindissimas, afinadas, da mesa concentrada de frente. Apeteceu-lhes, pelos vistos é da praxe. 7 minutos depois, já perdida num queijo de ovelha, retoma a melodia. E mais outra. E mais outra. Uma pausa longa entre cada uma, para respeitar os que demais também almoçam. E mais outra.
São o grupo coral Os Mineiros do Lousal. Almoçam discretamente, enquanto nos fazem dançar no tempo das suas vozes inesquecíveis.
Encantadora experiência.


Restaurante Armazém do Lousal
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