segunda-feira, junho 29, 2009

Pezinhos na Areia

O sol baixa, devagar, como aqui sempre nos habitua.
Na calma do poente, o vento fresco que os casacos não nos trouxe,
convida ao acolhedor interior de uma , chamar-lhe-ia, cabana. Os pés não assentam na areia, mas é como se assim fosse. Rente à praia.


Chegam as pataniscas de camarão com arroz de grelos em parelha adoptiva com o bife Angus, já ao lusco-fusco, de uma vela acesa.

Bom ambiente, quiçá estarmos ainda em Junho, boa comida, bom serviço e muito acessível.
A voltar e recomenda-se.



Pezinhos na Areia
Praia Verde, Castro Marim
+351 281 51 31 95

Das 11h às 2h00 (cozinha fecha às 23h)

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domingo, junho 28, 2009

Casas, num festival de silêncio

De volta à paz da Casa, à rústica Cacela.
Aos pequenos almoços tranquilos, bem adornados no páteo. Ao despertar no silêncio. Aos serões mudos, inspirados, que ecoam dos tectos altos de cana e trave da sala, dos quadros de cores quentes, da parede em janela que reflete o candeeiro de luz amarela e as garrafas do bar. À meia luz.

De volta às ostras, às ameijoas, ao por-do-sol, na encosta da Casa Velha. Com a mesma honestidade de sempre.

De volta a tarte de amêndoa e à galeria intermitente da Casa Azul. Da qual nunca me canso.






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domingo, junho 21, 2009

On the read

Virgina Woolf - Orlando - uma biografia

"Orlando: A Biography, published in 1928, was not Woolf's most famous work, but it was one of her most intense considerations of gender. Through the life of the extraordinary character Orlando, Woolf examines the meanings of masculinity and femininity as these definitions changed in Europe over the course of four hundred years. In tracing those changes, Woolf presents a feminist overview of history from the days of Elizabeth the First to the end of World War I. Orlando, who was modeled on Woolf's close friend Vita Sackville-West, goes from being a young man in Queen Elizabeth's court to a love affair with a Muscovite princess; from Ambassador Extraordinary to encounters, now as Lady Orlando, with the famous English writers Pope, Addison, and Swift; finally, Orlando experiences childbirth."

&

buraco branco, a "parede branca" de Luis Carvalho












"amiga
branca folha
boa amiga
onde estás?
pureza delicada
amizade mantida
eternidade ampliada
onde estás?
cada qual
seu truque
seu mal
onde estás?
o truque
meu
simplesmente
é o meu
onde estás?
há dias
que faço
explodir
paredes brancas
para encontrar
a paz"


Eil-las.

Sofá à Beira Tejo


Mais uma alternativa para as noites quentes, que implica a beira Tejo, e que ultrapasssa o já tão apetecido À Margem, para além dos mais que concorridos BBC e Piazza.

Surge discreto, ao lado do À Margem, no novo Hotel Altis Belém.
Com 3 esplanadas, 2 destinadas a restaurantes do Hotel, e uma terceira bem confortável, pequena, mas a mais próxima do rio, com sofá e pufs, pertencente a um dos bares do Hotel. Serve snacks e bebidas variadas. Pena que o café seja apenas Nespresso, que desse prefere beber-se em casa.
Valeu o Cosmopolitan, o espaço - pequeno, mas suficiente, a vista e a noite.

(Resta retirarem-se as fábricas do lado sul, embora à noite não incomode as vistas.)

Altis Belém Hotel & SPA
Doca do Bom Sucesso
1400-038 Lisboa
Tel.: + 351 210 400 200
Fax: + 351 210 400 250
info@altisbelemhotel.com

Frade por uma noite


Anda na boca das revistas, dos sites dedicados.
Mas constatar que fica em pleno Lumiar, é de facto uma surpresa. O nome, "
Quinta dos Frades" não joga com "Chakall", o argentino e executive chef de serviço. Pelo que, à aventura, restava descobrir que combinação seria esta, qual ligação a Buenos Aires.

Num prédio perfeitamente vulgar, longe da "noite" portuguesa (mas de facto, quem
é que disse que tinha ser perto?) mas onde se destaca a entrada do restaurante, discreta mas assinalada com elegância e sofisticação, ei-lo.

O interior não desaponta, os tectos altos, os candeeiros estilhaçados em preto, as mesas compostas a gosto despretensioso, e os cadeeiros baixos, para atingir o cosy, a meia luz. O serviço está ao nível, recebe-se bem, como estamos habituados no Norte (Quarenta e Quatro, etc.), e muito raramente em Lisboa (excepções devidas para a Travessa e para o Eleven, em relativa comparação), que é uma coisa que normalmente me irrita solenemente.

A carta tem a faculdade de centrar pratos portugueses, pelo que não falta o bacalhau e o polvo à lagareiro, e outros afins, com as devidas "personalizações" do Chef. À entradas, o queijo de cabra gratinado em morcela brazeada com sultanas, estufado de figo e moscatel de Setubal, é simplesmente divinal, mesmo para quem pode não apreciar morcela. No entanto, às saudades dos ravioli de abóbora do Lucca, respondo, embora com hesitações, com uns fantásticos ravioli de beringela. O bacalhau lascado em cama de puré de grão, grelos salteados e amendoas é o prato "estrela" (em paralelo ao bife) e de facto, não só só aparências, recomenda-se.
Só as sobremesas, no entanto, carecem de maior originalidade na carta.


Dizem que cozinham paixão e compreende-se então este espaço, uma quinta, como que dedicado à recriação da cozinha típica portuguesa (ou pelo menos os seus típicos ingredientes) para ser saboreada por quem gosta de bem comer (e beber, assim consta) - não sei se os frades, mas reza a história que sim.


Quinta dos Frades
Rua Luis de Freitas Branco 5-D Lisboa
217598080
Seg a sexta almoço: 12h30-15h30
Seg a quinta jantar: 19h30-23h30
Sextas e Sabados: 20h30-01h00 (viva! mais uma cozinha aberta depois das 22h30 que não fica no Bairro Alto...)

Um gelado à Beira Tejo plantado

Com Lisboa tórrida, agradará saber que o Piazza di Mare tem agora (?) uma esplanada especialmente dedicada a uns óptimos gelados. Bolas enormes, fresquinhas. Quiçá, home made. Muito bom. E com vista para o Tejo. óptimo para as noites quentes que nos têm assolado

http://www.piazzadimare.com/

sexta-feira, junho 12, 2009

Na Travessa

Em busca da Taberna Ideal, cruza-se a Travessa do Convento das Bernardas, que há muito figura no meu livrinho dos to gos. Agendada ficou, para um dia destes. Daqueles. Quando calhar.
E calhou. Bem, numa sexta feira, sem planos.

Calcorreia-se a rua das Trinas, depois de tão esperançado lugar para estacionar o carro. Poderia ter sido bem pior. Reservada a mesa, com 1 hora de antecedência, não fosse o diabo tecê-las.
Entra-se por humilde porta a dentro, recebendo-nos na meia luz um pequeno sofá, uma talha dourada e, adiante, um sorriso. Maldiz-se o vento e falta do casaco, que
nos impede de ficar à luz das velas em pleno Convento das Bernardas plantados, em rica ceia. No entanto, ao interior, sobeja espaço e discrição, com tectos altos e mesa largas, com pormenores de bom gosto e o cosy

As janelas abertas para o páteo compõem o cenário. A comida dança nas mesas, em as 1001 entradas que vão chegando sem pedir: pimentinhos "padron" salteados em azeite com flor de sal, paté de figados de pato com doce de cebola, cogumelos assados, queijo de cabra panado com compota de morango e uns maravilhosos secretos de porco preto. SUrge ainda me surpresa, os ovos mexidos com cogumelos selvagens.

Acompanha uma flute de champagne, a gosto.
E tudo o que chega é requintando, delicioso, autêntico. Rec
omenda-se a perdiz em massa folhada, que me lembra os jantares de caça em casa, e que neste abraço à massa, inspira outra evolução. Para fechar em chave de ouro bem portuguesa, uma tarte de requeijão acompanhada por um delicado doce de abóbora.


Há dias assim. Apetece celebrar a demorada Primavera


A Travessa
Travessa do Convento das Bernardas, 12
Madragoa

1200-638 LISBOA
21 390 20 34


11

Um dia para celebrar, num restaurante que se posiciona como um dos mais caros Lisboa.
Hoje não basta ser caro. Há que provar que comida, o serviço e o espaço merecem essa exclusividade. E apesar das dúvidas iniciais, rendo-me à evidência de que,

1. se come lindamente, desde as entradas à sobremesa;

2. o espaço é airoso, as mesas grandes e distanciadas, as janelas enormes, de onde nos acena a bandeira nacional, fazendo da relva a ilusão do nosso chão

3. o serviço altamente profissional, educado; e sobretudo, uma recepção calorosa, "à moda do Norte" que em Lisboa é quase impossível encontrar em restaurantes de topo, onde os empregados pensam que mandam nos clientes e que é um favor que fazem encaminhá-los a uma mesa

Um charme, o "Soho" da Boca Do Lobo, à entrada, à esquerda.
Assim como os candeeiros e cadeirões, da Muna, ou do próprio atelier, detalhes aos quais nem a casa de banho escapa.
E o "mimo" do Chef à saída, delicioso.

Details, details, details....

Eleven
Rua Marquês da Fronteira, Jardim Amália Rodrigues.
21386221
12h30-15h; 19h30 às 23h30




Algumas infos sobre o CV do Chef Joachim Koerper

"Joachim é apaixonado pelos produtos do sul da Europa, pelos seus sabores, cores, aromas e texturas. A sua filosofia é simples, como todas as coisas boas da vida: utilizar apenas produtos naturais e frescos e trabalhá-los com arte e criatividade.

Fruto de ser desde 1999 Chefe Consultor da Quinta das Lágrimas, Joachim Koerper é um profundo conhecedor da cozinha Portuguesa e dos produtos disponíveis no nosso país.

Joachim Koerper trabalhou em restaurantes tão famosos como:
:: Girasol – em Moraira, Alicante, chefiado por si durante 10 anos (duas estrelas Michelin).
:: L´Ambroisie - dirigido por Bernard Pacaud (três estrelas Michelin) de Paris.
:: Moulin de Mougins - dirigido pelo Chefe Roger Vergé (três estrelas Michelin).
:: Guy Savoy em Paris (duas estrelas Michelin).
:: Hosteleria du Cerf - em Marlenheim, dirigido por Robert Husser (duas estrelas Michelin).
:: Au Chapon Fin - em Thoissey, dirigido por M. Gilbert Broyer (duas estrelas Michelin).
Joachim Koerper presta consultoria ao restaurante Arcadas da Quinta das Lágrimas, que possui uma estrela Michelin.
"

Ideal, o raio da Taberna

Esperança, o raio do nome da rua que dá o mote a este novo traço. A esperança de trazer em vizinho a tradição da taberna aberta, da mesa humilde quadrada, dos guardanapos de papel.
Atraca a porta uma cadeira, daquelas dos 4 pregos embutidos, dos meus tempos de escola, embora por irmãs tenha poucas e pseudónias
não faltem. As ventoinhas negras no tecto abrisam a pequena e suficiente sala, em qualquer tarde desde tão ansiado Verão.

A ementa lê-se nas paredes, "à la Pois" e salta à vista apetitosa e variada, bem portuguesa, para quem quer petiscar à bom português ou comer um bom bife. A carta vem ainda pouco apressada, num razão já desgastado, em caligrafia que jamais conseguiria repetir - mas atrevo-me a pensar que qualquer criança de 8 anos o faça.

Recomenda-se aos "meninos
e meninas", que tratem os empregados pelos nomes. É mais fácil, assim diz. Dois ou 3, vestidos de preto, não propriamente a preceito, mas a tom consensual, variável, aposto, do qual não mudaria uma linha. Disponibilidade, simpatia, tu-a-tu. Ali em casa.

Fala-se em dividir, que os petiscos são variados. Peço antes de tudo um Trevo, e esforço-me para perceber se é alguma gasosa de há 30 anos, da qual eu, por lapso, nunca teria ouvido falar.
As tibornas não podem faltar para começar, e achega-se à mesa um pãozinho alentejano quebrado em queijo de cabra, em humilde prato reluzente de tantas pegas a q
ue já foi, já orfão com certeza. As endívias com queijo da serra(?), regadas a ginginha(?) assolam-se de seguida, com a calma que fez fugir a pressa e trouxe mais um prato sem colecção. Para fechar, um bife à Ideal. Tenro, no ponto. Com tudo a que tinha direito. À portuguesa, com certeza.

Abre-se novamente espaço em gula, para provar, pelo menos um doce. E a tarte de queijo de cabra abre alas para a mesa do canto, junto à porta. Onde a qualquer hora o tempo passa, nem que seja para um café.

Comentamos fascinados, à Tânia, o melhor bife dos últimos tempos.
Agradece com naturalidade.
Pelos posts anteriores compreender-se-á o verdadeiro alcance.


É mesmo, Ideal. Idealmente revivalista.
Com 7 euros petisca-se bem (3,50 uma tiborna, por ex.) , ou come-se um bife por 16. If you want it all...pode chegar aos 20 por pessoa.
Mas é bem dado.

Taberna Ideal
Rua da Esperança 112-114 - Lisboa
1200-658 LISBOA
213962744


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